11.09
postado por: Natália Martins

surrey

Se há talento na música de hoje em dia – e isso é um grande se – a única coisa que falta é certamente a paixão. Em um mundo de produzidos em massa, falando nada com nada e músicas de som iguais, artistas que transmitem emoção e, ainda mais, a intensidade são raros, é verdade.

Ed Sheeran mostrou com o seu show no Wells Fargo Center, na Filadélfia, que ele está entre essas raridades.

O britânico cantor/compositor ruivo, parece um jovem Van Morrison,  e também se assemelha a Morrison no desempenho. Ele pode fazer rap rapidamente como se falando em línguas – comparável ao icônico scat singing* de Morrison – ou se tornar encantavél dedilhando seu violão ou nas camadas de som que ele constrói com looping.

De fato, um dos elementos mais impressionantes do show foi como Sheeran apareceu no palco, com confiança e sozinho, com um violão e sem banda, e fez com isso o show.

O outro elemento mais impressionante foi como algumas músicas são com alma, e como convincente algumas de suas letras eram.

Isso foi assim desde a música de abertura, “I’m a Mess”, que deu uma volta no palco, sem aviso prévio, para tocar. Com uma boa intensidade, foi a primeira das nove músicas que veio de seu segundo álbum, “x”,  nos 100 minutos de show.

Ele seguiu aquela abertura com o seu hit de ouro de 2011 “Lego House”, que teve um toque leve, mas ainda ferveu com intensidade.

O que aquelas músicas e outras mostravam era que Sheeran dificilmente é só um típico cantor-compositor, seus hits de rádio o retrataram.

Na terceira canção, o seu novo single “Don’t”, foi mostrando a credibilidade de seu rap seguindo a música do Blackstreet “No Diggity”.

Em “Take It Back” ele colocou seu dedilhar de violão para tocar bem rápido com o loop. E contrastando isso, a próxima música, “One”, foi lenta com Sheeran cantando em falsete. E em “Bloodstream” ele batia em seu violão para percussão.

Uma das melhores da noite foi “Tenerife Sea”, que tinha um significado mais profundo – com apenas um vocal nu e emocional sobre um  violão mais complicado, com ele terminando em um falsete.

“Runaway” era mais como uma concha de uma música sem substância, e sua natureza menos pesada foi confirmado quando Sheeran terminou com um coro de Backstreet Boys “Backstreet’s Back”.

Ele pediu à multidão para não cantar “Afire Love”, chamando-a de acanção mais importante para ele no novo álbum.

Talvez a melhor foi “Thinking Out Loud”  onde a voz de Sheeran teve muita alma – mais parecida com Morrison- E a surpresa foi que o público jovem abraçou também.

Ele fechou o set principal com “Give Me Love”, na qual ele saudou a platéia a cantar (ele mesmo dividiu a multidão para que eles cantassem o refrão acappella), e mais uma vez mostrou a paixão que fez a noite ser tão bem sucedida. Então, veio “I See Fire”, e simplesmente largou o violão e saiu.

Quando voltou esticou “You Need Me, I Don’t Need You” a 11 minutos, com beat-box e loops, e dedilhando muito rápido seu violão.

Depois ele veio com seu maior hit de 2011, que tem dupla platina “. The A Team” e encerrou o show com “Sing”, o primeiro single de ouro do “x”, desta vez Sheeran canalizou Justin Timberlake.

Algo surpreendente quanto ao desempenho de Sheeran foi investido  ao público – em grande parte jovens e do sexo feminino -. Essas músicas não eram necessariamente para aquele público – e ainda assim elas gritaram e cantaram como se fosse a “congregação da igreja de Sheeran”.

Não foi a maior multidão que aquela arena viu – áreas importantes do piso estavam vazias, como era a maioria das seções mais altas. Mas a intensidade com que reagiram à Sheeran era tão grande quanto em um show de Morrison.

*scat singing = jeito de cantar improvisado, com repetição de sílabas e etc.

Fonte: The Morning Call
Tradução e Adaptação: Ed Sheeran Brasil

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