Post publicado por Renata Marcon (@afiretami) no dia 14/12/2012

edu

Dois anos atrás Ed Sheeran estava cantando para poucas pessoas em pubs, hoje, em contra ponto, acumula muitos prêmios, entre eles uma nomeação ao Grammy e o mundo ao seus pés. ‘Eu não tive tempo de tirar uma folga para olhar para trás e perguntar, o que aconteceu comigo?’

Não que isso importe, mas se fosse para aplicar a “regra da vovó” o nascido em Yorkshire Ed Sheeran é a maior estrela de origem irlandesa dos últimos tempos. “Ambos os meus avós são da Irlanda — meu avô é do norte e minha avó é do sul, tenho família em Wexford, Galway, Cork e outras cidades” disse Sheeran.

Na verdade, foi durante uma visita à seus primos na Irlanda 10 anos atrás que o fez contemplar a possibilidade de usar a música como ganha-pão. “Uma de minhas primas, Laura Sheeran — que hoje faz muita música boa — me levou para um show do Damien Rice. Pode soar clichê, mas esse foi um momento crucial para mim, certamente foi o show que me iniciou.

“Eu realmente não tinha planos de entrar na indústria da música, mas quando vi, já estava no meio, alguns anos depois do show de Rice. E mesmo assim eu estava fazendo isso apenas como um hobby, continuei dessa forma até ver que estava fazendo sucesso.”

Na trilha certa. Desde o lançamento de seu primeiro álbum no ano passado, Sheeran tem vendido discos aos baldes, gradativamente aumentando o tamanho dos locais onde toca e escrevendo músicas para artistas como One Direction e Taylor Swift, dos dos artistas mais vendidos nos Estados Unidos. Adicione a isso a recente nomeação ao Grammy (Música do ano com ‘The A Team’) e você terá um garoto de 21 anos fã de moletons que canta, compõe e tem um futuro tão brilhante que deslumbra todos a sua volta. É certamente algo muito diferente da forma como ele foi criado.

“Eu fiz meu primeiro show em Londres quando tinha 14 anos e me mudei para lá com 16,” ele começa. “Desde então eu só fiz isso. Um ato de coragem? Bom, eu achei que poderia ficar na escola e depois ir para a universidade, sair com 23 anos formado e com uma dívida de 20 mil libras, aí então iniciar essa coisa de cantor e compositor — ou eu poderia começar jovem e ter a vantagem de não me preocupar realmente em ganhar dinheiro ou arranjar um lugar para morar. Eu não me importava de viver um dia de cada vez — quando você tem 16 anos, não precisa de muito, né? Basta um pouco de comida, um piso e um travesseiro. É basicamente isso. Eu levei vantagem com os poucos gastos. Eu vivi com apenas uma mochila por muitos anos.”

O que fez ele escolher a abordagem lenta do público? Muitos adolescentes hoje em dia acreditam que o melhor e mais rápido caminho para o sucesso é o The X Factor.

“Bem, o X Factor mudou desde que eu comecei a cantar e esse ano permitiu que as pessoas cantassem suas próprias músicas. Aconteceu a mesma coisa com o The Voice. Mas quando eu comecei com 14, 15 anos, só existiam programas como o Pop Stars: The Rivals, com Girls Aloud e coisas do tipo. Para ser bem honesto, eu nunca quis participar de um programa assim. Se por acaso houvesse algum programa onde os calouros pudessem apresentar suas próprias músicas com seu violão, então sim, eu provavelmente teria optado por fazer isso, mas na época não havia nada assim.

“Há obviamente muitas maneiras diferentes de se entrar na indústria da música e uma delas é através do X Factor. Eu acho que se você quer ser um cantor-compositor, o caminho certo é a rota dos pubs e bares. Veja bem, eu não estou desmerecendo as pessoas que vão no X Factor, mas digo por experiência própria, se você tem centenas de shows na bagagem antes de entrar para o ‘mainstream’, então você vai conseguir um lugar muito melhor. Cantores e compositores precisam se preocupar com performances.”

Após vender tantas cópias de seu disco e fazer inúmeros shows, Sheeran está experimentando uma rápida mudança em seu modus operandi. Há exatamente dois anos atrás, ele estava tocando em lugares com uma capacidade de 100 pessoas ou até menos. Conforme o ano progrediu, ele deixou os bares pequenos. Como exatamente um cara com um violão e algumas músicas consegue fazer isso?

“Se eu tivesse pulado diretamente de um pub para uma Arena O2, por exemplo, eu tenho certeza de que teria dado merda”, responde Sheeran. “Mas o que aconteceu é que meu público tem aumentado gradualmente, de forma eficaz através da propaganda boca-a-boca, mês por mês durante os últimos dois ou três anos. Nos últimos nove meses, por exemplo, temos lotado casas de shows cuja capacidade é aproximadamente de 5 ou 6 mil pessoas. Isso é normal hoje em dia, para a equipe e para mim. Locais como a 02, é claro, são como outro nível a ser alcançado, mas nada muito assustador.

Como assim? Certamente a escala de produção, no mínimo, terá de ser consideravelmente incrementada?

“Do ponto de vista do desempenho ainda trata-se apenas de mim, um loop pedal e um violão, mas em vez de usar o dinheiro para contratar uma grande banda, eu tenho investido em paredes de vídeo e led que são manipuladas durante todo o show. Se meu desempenho for bom, eu posso ter certeza de que o visual à minha volta também será bom. É uma boa experiência para quando eu estiver tocando em lugares maiores.”

Rapaz inteligente. E ainda existem pessoas que o chamam de vaidoso ou artificial. Diga o que quiser sobre sua música (que parece, às vezes, ser desprezada por ser muito popular entre os jovens), mas o cara que escreveu as músicas parece muito sólido, regular e natural. Já como um multi-milionário, ele vê o ano passado, em particular, de uma forma inteligente.

“Eu não me faço muitas perguntas a respeito do meu sucesso ou como tudo aconteceu.
Obviamente eu estou muito feliz por estar na posição que estou agora. Eu ainda não tirei um tempo para olhar para trás e perguntar ‘Merda, o que aconteceu comigo?’ Eu não vou olhar para trás até que tudo comece a desacelerar.”

Desacelerar? Não por enquanto. Adicione a nomeação ao Grammy ao material que ele escreveu para a One Direction além da recente participação da tour americana de Taylor Swift e você terá — a menos que algo realmente desastroso aconteça nesse meio tempo — a possibilidade distinta de toda a América cair de joelhos e reverenciar Ed. Uma reviravolta maravilhosa na vida do garoto que resolveu se tornar músico após um show de Damien Rice.

“Sim, então, as tardes no sofá foram substituídas por ônibus de tour e quartos de hotel, mas minha vida realmente não mudou muito, porque eu ainda estou tocando músicas todos os dias além de escrever outras novas. É claro que a partir do ponto de vista de percepção pública, a minha vida mudou e muito. E também, não estou sofrendo como antes.”

E, no entanto, diz Sheeran, em outros aspectos sua vida não mudou em nada. “Eu tenho permanecido relativamente normal. Ainda uso o mesmo tipo de roupa e mantenho os mesmos amigos — Eu sou tímido, verdade seja dita, é um dos motivos para que eu não tenha feito muitos novos amigos. Como a mesma comida e vou aos mesmos bares quando quero uma cerveja.”

E o dinheiro, Ed? Os muitos álbuns vendidos, singles no iTunes, entre eles ‘Little Things’ da One Direction — você pensa no dinheiro? “Ha! Bem, eu sempre vivi de forma simples, não era tão ruim quando eu alugava sofás em casas de desconhecidos por 5 libras a semana — eu estava bastante contente, sério.

“Hoje em dia, eu ainda vivo dentro das minhas possibilidades, eu realmente não gasto muito. Comprei uma casa, achei que era algo sensato a se fazer, mas eu não fiz nada no estilo pop star, clichê. Ainda estou agindo como um cantor de bares, eu acho.”

Então você não vai alugar Alton Towers (um famoso parque britânico) para um final de semana com os seus amigos? “Eu nunca fui um grande fã de outra coisa além de música e DVDs, então a maior regalia que posso fazer nesse ponto é entrar na HMV e comprar tudo que estiver à minha frente.

Fonte: Irish Times
Tradução e adaptação: Renata Marcon

 



comentários

Webstatus

Projetos

Agenda

Twitter

Facebook

Apoio

Afiliados